Cheguei à vila fronteiriça, saí do bus, e lá caminhei para atravessar a fronteira e chegar a Bolívia. Ja estaria à espera de uma grande diferença cultural entre os dois países, mas nao estava preparado para o grande choque!! A alfandega do outro lado é significativamente bem mais antigo... digamos que o objecto mais moderno que lá encontrei foi a fotografia oficial do empoupado (primeiro) presidente indígena Evo Morales... sobranceiro a toda a sala!
Embrenhei-me por Villazón, e, enquanto esperava pela partida do meu autocarro, fui vendo as festividades carnavalescas deste lado.
Para além disso, fui observando a vida quotidiana das pessoas locais... e especialmente os trajes que se vestem diariamente aqui pelos mais velhos! Sao vestuários e hábitos lindos, e que já aguardava com bastante tempo para observá-los de perto fazendo-me sentir algo totalmente diverso e exótico aos meus costumes ocidentais, fazendo-me realmente sentir a América do Sul.
Claro que esta minha satisfaçao elevou-se à estratosfera, especialmente durante a minha viagem até à cidade de Potosí. Por uma casualidade desafortunada (ou nao, agora com o passar do tempo) calhou-me o assento da virtude da última fila daquele autocarro velho!! De acordo com aquele papel baço, devido à 3759ª fotocópia do plano dos assentos do autocarro, escolhi um assento agradável junto à janela que, na realidade, verificou ser totalmente errado. Com o corredor central como meu panorama principal, fui observando as pessoas que iam entrando... ao meu lado estava um casal de pessoas de meia idade, e uma parelha de mulheres de meia idade. A conversa nao se fica pelos conhecidos, e vao conversando uns pós outros, mesmo sentando em assentos e filas diferentes, mesmo sem olhando nos olhos.
Movidos pela curiosidade, como em quase todas as viagens que já fiz até agora, ficaram a saber que era Português viajante e solitário por aquelas bandas. E o espanhol ficou por alí, pois todas as restantes conversas durante as 12 martirizantes horas foram em Quechua, a língua nativa deles, sem que conseguisse perceber algo.
Eu posso muito bem tentar escrever aqui, posso até esmerar em descrever com o meu melhor discurso possível, mas nada... mesmo nada consegue minimamente ilustrar o que eu passei naquela viagem... devido às chuvas das semanas anteriores, e ao repavimento da estrada principal, eu percorri 350km num autêntico cenário indescritível daquele caminho em terra batida e sinuosa!! A parte de trás daquele autocarro pinchava, e atirava literalmente os ilustres protagonistas desta comédia a saltos de um palmo do assento!! JURO!! Eu ria-me, contorcia-me com as dores, deseperava, tentava dormir, voltava a acordar no ar daquele outro pincho até a estratosfera, ria-me, apercebia novamente que estava na América do Sul... enfim!
Por 2 ou 3 vezes, já nao me lembro bem, enquanto (por incrível que pareça) dormia devido ao meu enorme cansaço dos carnavais em Argentina, caíram violentamente sobre as minhas pernas uns sacos cheios de "tampa-rueres"... eram pesados que me faziam gemer de dor, e lá entre as conversas e as risadas das pessoas à volta, lá ia percebendo a palavra português por entre as frases quechuas!
Voltei a tentar adormecer, pensando nas galinhas vivas e livres em transportes públicos imortalizados pelos filmes do Indiana Jones, que agora passaram agora a "voar" dentro daqueles tupperware irritantes... sinais dos tempos modernos!!









Ca te espero...quero a traduçao fiel dos teus sentimentos em discurso fluido a apelar as memorias do que passaste!!! desta vez vou estar calada!!!;) faz bom regresso... beijo da desterrada do principado barroselense
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