Surely, this is not a diary of my journey… I won’t have time to update it daily!
However, in order to not bother anyone with emails, those who wish to ear from me may check here some posts and images throughout the few weeks that I’ll be in South America!


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Até à estratosfera...

Marchei finalmente para Norte a caminho da Bolívia... a paisagem é fantastica, à medida que vamos contemplando os vales e montes!
Cheguei à vila fronteiriça, saí do bus, e lá caminhei para atravessar a fronteira e chegar a Bolívia. Ja estaria à espera de uma grande diferença cultural entre os dois países, mas nao estava preparado para o grande choque!! A alfandega do outro lado é significativamente bem mais antigo... digamos que o objecto mais moderno que lá encontrei foi a fotografia oficial do empoupado (primeiro) presidente indígena Evo Morales... sobranceiro a toda a sala!
Embrenhei-me por Villazón, e, enquanto esperava pela partida do meu autocarro, fui vendo as festividades carnavalescas deste lado.
Para além disso, fui observando a vida quotidiana das pessoas locais... e especialmente os trajes que se vestem diariamente aqui pelos mais velhos! Sao vestuários e hábitos lindos, e que já aguardava com bastante tempo para observá-los de perto fazendo-me sentir algo totalmente diverso e exótico aos meus costumes ocidentais, fazendo-me realmente sentir a América do Sul.
Claro que esta minha satisfaçao elevou-se à estratosfera, especialmente durante a minha viagem até à cidade de Potosí. Por uma casualidade desafortunada (ou nao, agora com o passar do tempo) calhou-me o assento da virtude da última fila daquele autocarro velho!! De acordo com aquele papel baço, devido à 3759ª fotocópia do plano dos assentos do autocarro, escolhi um assento agradável junto à janela que, na realidade, verificou ser totalmente errado. Com o corredor central como meu panorama principal, fui observando as pessoas que iam entrando... ao meu lado estava um casal de pessoas de meia idade, e uma parelha de mulheres de meia idade. A conversa nao se fica pelos conhecidos, e vao conversando uns pós outros, mesmo sentando em assentos e filas diferentes, mesmo sem olhando nos olhos.
Movidos pela curiosidade, como em quase todas as viagens que já fiz até agora, ficaram a saber que era Português viajante e solitário por aquelas bandas. E o espanhol ficou por alí, pois todas as restantes conversas durante as 12 martirizantes horas foram em Quechua, a língua nativa deles, sem que conseguisse perceber algo.
Eu posso muito bem tentar escrever aqui, posso até esmerar em descrever com o meu melhor discurso possível, mas nada... mesmo nada consegue minimamente ilustrar o que eu passei naquela viagem... devido às chuvas das semanas anteriores, e ao repavimento da estrada principal, eu percorri 350km num autêntico cenário indescritível daquele caminho em terra batida e sinuosa!! A parte de trás daquele autocarro pinchava, e atirava literalmente os ilustres protagonistas desta comédia a saltos de um palmo do assento!! JURO!! Eu ria-me, contorcia-me com as dores, deseperava, tentava dormir, voltava a acordar no ar daquele outro pincho até a estratosfera, ria-me, apercebia novamente que estava na América do Sul... enfim!
Por 2 ou 3 vezes, já nao me lembro bem, enquanto (por incrível que pareça) dormia devido ao meu enorme cansaço dos carnavais em Argentina, caíram violentamente sobre as minhas pernas uns sacos cheios de "tampa-rueres"... eram pesados que me faziam gemer de dor, e lá entre as conversas e as risadas das pessoas à volta, lá ia percebendo a palavra português por entre as frases quechuas!
Voltei a tentar adormecer, pensando nas galinhas vivas e livres em transportes públicos imortalizados pelos filmes do Indiana Jones, que agora passaram agora a "voar" dentro daqueles tupperware irritantes... sinais dos tempos modernos!!

1 comentário:

  1. Ca te espero...quero a traduçao fiel dos teus sentimentos em discurso fluido a apelar as memorias do que passaste!!! desta vez vou estar calada!!!;) faz bom regresso... beijo da desterrada do principado barroselense

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