Surely, this is not a diary of my journey… I won’t have time to update it daily!
However, in order to not bother anyone with emails, those who wish to ear from me may check here some posts and images throughout the few weeks that I’ll be in South America!


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Não tem passageiro? Então não há viagenzinha...

A viagem longa de 16 horas para a minha 13ª etapa, começou bem no pico do calor de 6feira. Pouco tempo depois, a maioria dos passageiros, certamente já indiferentes àquelas paisagens espectaculares, tinham cedido ao sono ao longo daquelas estradas sinuosas!!
Inesperadamente, quando íamos atravessar um pequeno povoado encavalitado sobre uma encosta, fomos literalmente ATACADOS por litros de água, balões cheios de água, espuma, e sei lá mais o quê... todos os passageiros sobressaltados, meios atordoados ainda pela surpresa da emboscada, fecharam todas as janelas do autocarro com uma destreza quase involuntária!! Confesso aqui que eu falhei como sentinela deste batalhão boliviano, pois não pude antever que aquela música que ouvia, ainda distante, duma bandita filarmónica era o anúncio de que o Carnavalito estava ainda agora a começar neste fim-de-semana!! Lá seguimos viagem, mais tranquilos, diria, uma vez que o nosso "sistema de ar condicionado" estava hermeticamente fechado durante os longos kms seguintes!! De vez em quando, acordávamos por outros ataques ineficazes de outras aldeias, escarrapachadas no tal ar-condicionado!
De facto, Bolívia tem o seu encanto que muito me encanta... e, neste país de contrastes coloridos podemos afirmar que claramente se denotam 2 países distintos dentro deste único país!! E foi assim que acordamos pelas 8h da manha "abafados" à entrada da cidade, por si só já muito abafada e tropical, de Santa Cruz de la Serra!! Estamos a 450m de altitude, no início da longa planície que se estende até ao Pantanal Brasileiro.
Esta cidade tem pouco de interessante... fiquei hospedado na casa do meu casal amigo (Maité boliviana e Guillaume canadiano) que tenho estado a acompanhar há uma semana pela mesma rota! Verifica-se que esta cidade está a crescer em altura, com prédios cada vez mais altos!
No segundo dia aventurei-me a passar o dia numa localidade perto, chamada Samaipata, a 120km de Santa Cruz. Paguei um carro-taxi-colectivo com outros 3 desconhecidos bolivianos, e metemo-nos na auto-estrada limítrofe da cidade que me mostrou ser um autêntico mercado de fim-de-semana! Parámos um pouco para eles comprarem folhas de coca, que dizem que faz bem para as altitudes, e seguimos viagem!
Como quase sempre, ficam sempre curiosos pelo facto de conhecerem pela 3ª vez um português, um tanto ou quanto diferente do Figo e do Cristiano Ronaldo que muito bem parecem conhecer... A viagem de 3 horas até à aldeia foi abençoada regularmente pelo condutor, que se benzia em determinados sítios (não sei bem onde nem porquê) com um sinal de cruz duplicado, beijando de seguida a mão que depois a levaria a dar duas sapatadelas no tablier japonês...
Um dos passageiros, Eng.Químico, achou por bem levar-me a conhecer a sua bela aldeia. Era dia de feira, e fiquei extasiado ao caminhar pelo mercado local, sendo geralmente um reflexo da sociedade pela multiplicidade de cores, cheiros, formas, e pessoas, de que posssui.
Subi depois ao forte pré-Inca num rochedo talhado no topo dum monte.
No final da caminhada, fui ao ponto de encontro onde se reúnem os passageiros para Santa Cruz... desta vez, já não fui tão abençoado, pois tive que esperar cerca de uma hora para que surgisse um 4º passageiro que preenchesse o taxi!! Por estas bandas, o taxista só avança se tiver o carro cheio, e assim foi quando surgiu por fim uma 4ª passageira e dois meios! Neste caso, tratando-se de uma mãe com dois filhotes, tomou o lugar de pendura que parece ser um posto muito previlegiado, uma vez que toma o lugar de co-piloto "observando" todos os comandos do tabelier à sua frente!! Claro que isto não é importante, a não ser o nível da gasolina, pois o condutor anda à velocidade que bem apetecer (de acordo com o pavimento em asfalto ou terra batida)... trata-se pois de uma adaptação no primo mecânico da esquina, em que muda para a esquerda o volante e os pedais do carro que fora outrora construído para conduzir pela esquerda!! Infelizmente, o tablier fica como está pois não consegue ser invertido!

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Aqui nasceu Alto Perú!!

Sucre fica a pouquíssima distância, comparado com o que senti atrás, bem lá nas alturas... É uma cidade muito linda, e, digamos, mais rica em oxigénio!!
Para quem nao sabe, e segundo o artigo 6º da constituiçao boliviana, a capital deste país é Sucre, e nao La Paz!!
Aqui na minha 12ª etapa fica apenas a sede do tribunal superior... o governo, o presidente e o parlamento estao em La Paz... mas, o que manda é a constituiçao!!
Este país chamado de Alto Peru nos primeiros 6 dias de independência foi mudado para Bolívar, em honra ao primeiro presidente deste país, um herói venezuelano (acho) nas batalhas contra a espanha! Esta foi, claro, a batalha mais longa de toda a américa do sul, pois os espanhóis nao queriam perder este território rico em todos os minérios possíveis... Bolívar deixou o cargo após mês e tal, pois era também presidente da Colômbia (que sorte, hein?). Por essa altura, foi quando decidiram mudar o nome do país de Bolívar para Bolívia... O segundo presidente, também venezuelano, chamava-se General Sucre, e em sua honra e tal... exacto, mudaram o nome desta cidade para Sucre em sua memória!!
Depois deste, tiveram imensos presidentes...mas todos foram nascidos em la República de Bolívia!
As cores da bandeira é verde pela natureza, amarelo pela riqueza mineral, e, como na maioria de todos os países, vermelho pelo sangue derramado em todas as batalhas...
E, numa dessas batalhas há 100 anos atrás perderam para o Chile o único território que tinham que lhes davam acesso ao mar... como forma de protesto, mantêm no brasao da naçao a décima estrela desse departamento perdido!!
Como veêm, já nao conseguirei ter mais histórias ou imagens interessantes nesta jornada como o deserto de atacama... por isso, invento imagens de dinossáurios que ressuscitam em pedreiras onde se descobriram milhares de pegadas fossilizadas!! Para além desta loucura sana, deixo-vos aqui uma parte da história passada e actual dos sítios por onde passo para vos condimentar os vossos desejos de viajar...

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Oxigénio... por favor!

Depois da agitaçao da viagem, la caminhei atordoado por aquelas ruelas de Potosí às 7h da matina à procura de um hostel... aos primeiros passos reparei que a minha respiraçao mais ofegante nao era apenas devido ao cansado da viagem, mas principalmente porque me encontrava na cidade mais alta do mundo (outra vez, o superlativo relativo de superioridade) a 4.060m de altitude!!! Mais uma vez, os 9kg de mochila ajudaram-me nesta tarefa!!
O casco histórico desta cidade é bonita,e é classificada como património da humanidade pela UNESCO.
Segundo a lenda dos nativos, uma lama fugiu a um pastor... o pastor tentou procurá-la no monte que domina a regiao, no entanto acabou por anoitecer!! Para nao morrer no frio (mesmo no Verao nao é nada quente...) decidiu fazer uma fogueira... durante a noite foi ouvindo um ruído "potocs...", "potocs..."! Acercou-se da fogueira, e reparou que aquele ruídoera a prata a derreter!! E assim foi dado o nome à minha 11ª etapa, cidade esta que chegou a ser a mais rica do mundo e a segunda mais populosa do mundo.
Todo o monte chamado de Cerro Rico está desbravado por todos os invasores deixando-o que nem um queijo suiço!! Diz-se que os espanhóis poderiam fazer uma ponte de prata daqui até espanha... e outra ponte de ossos dos escravos negros de lá para cá (uma vez que nenhum deles conseguiu sobreviver aos efeitos da altitude)!
Por volta da decada de 80, a mina deixou de ser do estado pois ja nao era rentável, e entao todos foram-se embora... todos nao, ficaram alguns mineiros que agora trabalham por cooperativa, i.e., cada um trabalha livremente por sua conta, abrindo buracos que mais lhe convém neste monte decadente, que mais tarde levará o seu minerio à empresa adjacente que o comprará de acordo com a sua qualidade para mineralizá-lo!!
Para os guiar dentro desta anarquia subterrânea, existe "El Tio", uma representaçao do diabo que lhes oferecem folhas de coca e alcoól para a Pachamamma!
Recentemente, o Presidente Evo Morales afirmou que queria voltar a nacionalizar todo este monte... após uma breve pausa e com a boca cheia de folhas de coca, lá respondeu o guia por todos os mineiros, : "¿Evo?... ¡¡ nos huevos!!"
No dia de 3ªfeira de Carnaval esta cidade estava parada... nenhum turista podia sequer entrar nem sair, pois toda a gente estava a festejar à sua maneira: ora bebendo até cair... ora atirando água desagradavelmente fria uns para os outros!! É assim que cada um festeja!!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Até à estratosfera...

Marchei finalmente para Norte a caminho da Bolívia... a paisagem é fantastica, à medida que vamos contemplando os vales e montes!
Cheguei à vila fronteiriça, saí do bus, e lá caminhei para atravessar a fronteira e chegar a Bolívia. Ja estaria à espera de uma grande diferença cultural entre os dois países, mas nao estava preparado para o grande choque!! A alfandega do outro lado é significativamente bem mais antigo... digamos que o objecto mais moderno que lá encontrei foi a fotografia oficial do empoupado (primeiro) presidente indígena Evo Morales... sobranceiro a toda a sala!
Embrenhei-me por Villazón, e, enquanto esperava pela partida do meu autocarro, fui vendo as festividades carnavalescas deste lado.
Para além disso, fui observando a vida quotidiana das pessoas locais... e especialmente os trajes que se vestem diariamente aqui pelos mais velhos! Sao vestuários e hábitos lindos, e que já aguardava com bastante tempo para observá-los de perto fazendo-me sentir algo totalmente diverso e exótico aos meus costumes ocidentais, fazendo-me realmente sentir a América do Sul.
Claro que esta minha satisfaçao elevou-se à estratosfera, especialmente durante a minha viagem até à cidade de Potosí. Por uma casualidade desafortunada (ou nao, agora com o passar do tempo) calhou-me o assento da virtude da última fila daquele autocarro velho!! De acordo com aquele papel baço, devido à 3759ª fotocópia do plano dos assentos do autocarro, escolhi um assento agradável junto à janela que, na realidade, verificou ser totalmente errado. Com o corredor central como meu panorama principal, fui observando as pessoas que iam entrando... ao meu lado estava um casal de pessoas de meia idade, e uma parelha de mulheres de meia idade. A conversa nao se fica pelos conhecidos, e vao conversando uns pós outros, mesmo sentando em assentos e filas diferentes, mesmo sem olhando nos olhos.
Movidos pela curiosidade, como em quase todas as viagens que já fiz até agora, ficaram a saber que era Português viajante e solitário por aquelas bandas. E o espanhol ficou por alí, pois todas as restantes conversas durante as 12 martirizantes horas foram em Quechua, a língua nativa deles, sem que conseguisse perceber algo.
Eu posso muito bem tentar escrever aqui, posso até esmerar em descrever com o meu melhor discurso possível, mas nada... mesmo nada consegue minimamente ilustrar o que eu passei naquela viagem... devido às chuvas das semanas anteriores, e ao repavimento da estrada principal, eu percorri 350km num autêntico cenário indescritível daquele caminho em terra batida e sinuosa!! A parte de trás daquele autocarro pinchava, e atirava literalmente os ilustres protagonistas desta comédia a saltos de um palmo do assento!! JURO!! Eu ria-me, contorcia-me com as dores, deseperava, tentava dormir, voltava a acordar no ar daquele outro pincho até a estratosfera, ria-me, apercebia novamente que estava na América do Sul... enfim!
Por 2 ou 3 vezes, já nao me lembro bem, enquanto (por incrível que pareça) dormia devido ao meu enorme cansaço dos carnavais em Argentina, caíram violentamente sobre as minhas pernas uns sacos cheios de "tampa-rueres"... eram pesados que me faziam gemer de dor, e lá entre as conversas e as risadas das pessoas à volta, lá ia percebendo a palavra português por entre as frases quechuas!
Voltei a tentar adormecer, pensando nas galinhas vivas e livres em transportes públicos imortalizados pelos filmes do Indiana Jones, que agora passaram agora a "voar" dentro daqueles tupperware irritantes... sinais dos tempos modernos!!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Pocos, pero Locos...

Cheguei a Tilcara, a minha 10ªetapa. Quis determinantemente parar neste pequeno povoado quechua pois ouvi dizer que tinha um carnaval muito caracteristico!! E, na verdade, confirmou-se... fez-me lembrar, em muito, as tradiçoes que ainda se verificam no interior transmontano.
A festa aqui, devo dizer, é ao rubro, onde vêm muitas pessoas de toda a Argentina para estes minusculos semi-desérticos povoados do norte. Estes diabos andam a correr e a dançar com as moças das ruas, e toda a gente dança e pincha freneticamente ao som de um pequeno grupo de metais que tocam parecido aos Kumpania Algazarra!!
Claro, toda a gente vai atirando baloes de água uns para os outros... e atingimos uns aos outros com uma espécie de espuma que nos deixam todos brancos, e depois molhados devido ao calor.
Vamos entao em romaria para cada bairro do povoado onde nos esperam grátis, dezenas de litros de uma michórdia qualquer... mas com alcoól!! É para compartir... e dançar pela noite fora (claro, aqui o frio aperta e já deixa de ser tao engraçado levar com água ou espuma)!
Ahh, e claro, todas as pequenas imagens religiosas e ermidas expostas nas ruas sao tapados com lençois... para que nao vejam a blasfémia das comparsas dançantes!!